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<rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" version="2.0"><channel><atom:link rel="hub" href="http://tumblr.superfeedr.com/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"/><description></description><title>Son of Boredom</title><generator>Tumblr (3.0; @danielmurata)</generator><link>http://danielmurata.tumblr.com/</link><item><title>Numa certa noite chuvosa</title><description>&lt;p&gt;Chovia muito naquela noite de inverno, mais do que o esperado para o inverno na Zona da Mata Nordestina, a população soteropolitana era castigada pelas águas celestes, que eram particularmente cruéis com os mais pobres e os sem moradia. As estreitas ruelas dos subúrbios de Salvador eram verdadeiros córregos, de tal modo que os moradores nada podiam fazer a não ser ficar em casa, rezando, hora para Jesus Cristo e os santos, hora para os orixás filhos de Olorun. O azul mar bravio arrebentava-se nas areias ásperas da antiga cidade, e o céu escuro faiscava relâmpagos brancos. Não era justo, não era certo que os ricos ficassem abrigados na cidade alta, incólumes, e os pobres se afogassem na cidade baixa, junto dos ratos e baratas, pensava José.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Os leitores agora certamente se perguntam quem é José, este rapaz descendente de escravos. Pois bem, este é um pobre coitado que nunca conheceu o pai, e que, como tantos outros nordestinos, tentou a sorte em São Paulo, deixando para trás a mãe e as irmãs. Agora, como o filho pródigo, retornava à cidade de nascença, desiludido com a dureza do coração paulista, e era recepcionado pela tempestade que a tudo levava. Lutava para não escorregar nas poças de lama, e para não sucumbir à força das corredeiras que vinham morro abaixo, maldito o dia em que sua família decidira morar num morro íngreme, mas era o único local que poderia receber uma família maltrapilha, o único local que aprendera a chamar de lar.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- Vai se machucar, meu filho – a voz macia de sua mãe veio a seu encontro, e logo a mão, tão calejada, e ao mesmo tempo, tão delicada da progenitora de José envolvia os dedos do rapaz e o impedia de cair ladeira abaixo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;José nada respondeu, apenas sorriu para sua criadora e firmou-se em pé novamente. Segurou a mão dela antes de continuar a subir, mas ela o puxou de volta para baixo, com um sorriso terno, daqueles que só as mães sabem dar a seus filhos. O olhar da mulher então se voltou para uma ruela mais abaixo, localizada à sudoeste do casebre no qual a família de José morava. O rapaz encarou a mãe, imaginando o que se passava em sua cabeça.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- Passou muito tempo longe, meu filho. Eu e suas irmãs estamos morando na casinha azul, descendo por ali – indicou a mulher, sorridente – vai à frente, nos veremos de novo mais tarde.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- Obrigado, mamãe.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Assim fez o rapaz, deixou a mãe e desceu pela rua mostrada até chegar à casinha, visivelmente menor que a do alto do morro. Bateu na porta uma, duas, três vezes antes que sua irmã caçula a abrisse. Entrou rapidamente, seus ombros sendo logo cobertos por uma manta que sua irmã mais velha trouxera.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- Como chegou aqui?! – perguntou a caçula, visivelmente surpresa.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- Mamãe me mostrou o caminho – respondeu José, sem demorar.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;As duas garotas trocaram olhares e ficaram pálidas, praticamente translúcidas, fato que não passou despercebido por José, visivelmente surpreso com a reação das irmãs. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- Maninho – começou a mais velha – mamãe morreu dois dias atrás, quando nossa velha casa desabou – terminou a mais nova. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Fora a vez de o rapaz perder a cor, era sua mãe, tinha certeza disso. Sentira sua pele, vira seu sorriso, ouvira sua voz, estaria ele louco? Não, a loucura não era uma possibilidade, talvez naquela Baía de Todos os Santos ainda houvesse espaço para um milagre, para o sobrenatural. Talvez naquela terra de Ogum, o amor de uma mãe pudesse superar, ainda que por um instante, a morte.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://danielmurata.tumblr.com/post/9943401292</link><guid>http://danielmurata.tumblr.com/post/9943401292</guid><pubDate>Wed, 07 Sep 2011 23:17:47 -0300</pubDate></item><item><title>Branca de Neve</title><description>&lt;p&gt;É frio na cidade quando finda a balada,&lt;br/&gt;Caem cândidos cristais filhos do inverno,&lt;br/&gt;Hoje, neve, paraíso; amanhã, sujeira, inferno,&lt;br/&gt;Meus pés afundam nessa massa gelada&lt;br/&gt;Enquanto caminho com atenção velada.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Cruzo o parque de vegetação negra e torta,&lt;br/&gt;Desfolhada pelo frio, ressequida, natureza morta,&lt;br/&gt;Sopra um vento branco, voz muda da noite,&lt;br/&gt;Fecho meu casaco pra me proteger do açoite&lt;br/&gt;Que o inverno desfere em mim, como corta!&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Emergem pequenos rubis no manto branco,&lt;br/&gt;Sigo-os, misto de curiosidade e espanto,&lt;br/&gt;E a encontro, desfalecida sobre um banco,&lt;br/&gt;Uma face serena sem sentir, bizarro encanto,&lt;br/&gt;Sem agasalho, pele alva na candura do gelo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Me aproximo e vejo que a ela pertencem&lt;br/&gt;Os lúgubres rubis, legado de sua pulsação,&lt;br/&gt;Escarlates Jóias que coroam o branco chão,&lt;br/&gt;Pobre menina, qual terá sido o fim que teve?&lt;br/&gt;Princesa do inverno, triste Branca de Neve.&lt;/p&gt;</description><link>http://danielmurata.tumblr.com/post/9942814260</link><guid>http://danielmurata.tumblr.com/post/9942814260</guid><pubDate>Wed, 07 Sep 2011 23:04:33 -0300</pubDate></item><item><title>"É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que à ponta da espada."</title><description>“É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que à ponta da espada.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; - &lt;em&gt;William Shakespeare&lt;/em&gt;</description><link>http://danielmurata.tumblr.com/post/2596204204</link><guid>http://danielmurata.tumblr.com/post/2596204204</guid><pubDate>Tue, 04 Jan 2011 11:28:16 -0400</pubDate></item></channel></rss>
